Eu sei que isso parece uma brincadeira, e é, pense desta forma: estou me divertindo no processo, e por mim está valendo. Já fazem alguns anos que venho postergando (e muito) a criação de um espaço onde eu pudesse compartilhar meus devaneios textuais. Por alguma razão depois dos meus 25 anos isso passou a ser um desejo para a minha vida, uma vontade muito louca de iniciar um blog pessoal, daqueles tipos de projeto que você espera nada além do prazer de por a mão na massa e ver algo novo tomando forma, sabe? Só que até este presente momento eu ainda não havia realizado mais do que somente colecionar obstáculos pela esquiva em dar o primeiro passo. As desculpas eram inúmeras, algumas refletiam um mero receio pelo julgamento –como se o mundo estivesse muito preocupado com qualquer coisa que eu faça–, e outras até possuem algum fundamento lógico, ou pelo menos assim eu gosto de me fazer acreditar. [As vezes é um saco ser auto-consciente]. Eu completo meus 30 anos agora em Junho, e posso dizer que na minha realidade nem sempre a internet foi algo super presente, se você for pensar que no Brasil, a internet começou a ser utilizada pelo público geral somente a partir de 1995, podemos dizer que eu sou quase tão velha quanto esta tecnologia é para uma população inteira, que hoje tem pleno acesso. Me lembro de quando criança utilizar o computador do trabalho do meu pai para acessar sites de jogos como, por exemplo, o site oficial da Barbie, que era o meu favorito. Pra mim era uma alegria sem fim poder vestir bonequinhas ou cuidar de bebês virtuais, igual ao Tomagoshi só que na tela de um computador. Tinha vezes (quase todas) que o jogo, ou o próprio site levava horas para conseguir carregar somente uma tela, e claro que era um puta saco, mas não havia grandes frustrações, era isso o que dava para fazer e não tinha porque ficar sofrendo, a gente pegava outra coisa para brincar enquanto aquilo carregava, meio que fazia parte do ritual "mexer na internet" que esta tomasse o tempo que fosse necessário só para nos prover tão mágico advento contemporâneo de poder acessar lugares além da realidade. Saiba que ainda é possível rever muitos destes sites que já não existem mais, através de ferramentas como o Wayback Machine. Você adentrará um mundo completamente adjacente ao que temos hoje, e acredite, muito menos maçante. Eu não sei se é uma questão de nostalgia ou se realmente pendemos para o lado ruim da força. Por curiosidade, hoje resolvi fuxicar o Barbie.com só para ver que tipo de entretenimento é oferecido e qual o gosto da criançada de hoje em dia, e bom... Talvez eu seja mesmo antiquada, são estes os momentos em que percebo que estou ficando velha, e com demasiado preciosismo pelo meu próprio passado. Não que eu esperasse ver um site semelhante ao que eu costumava frequentar, ou que as preferências das crianças de hoje em dia tivessem se mantido similares as da minha época, afinal hoje temos uma infinidade de recursos recreativos infanto-juvenis, que óbivamente não depende mais de sites num desktop, mas confesso que eu esperava alguma coisa, sabe? Qualquer fagulha que me fizesse pensar que ainda temos aquela inocência. Para uma criança dos anos 90 que não cresceu cronicamente online, nem teve absolutamente todos os aspectos da sua vida atrelados a uma tela, alguns comportamentos atuais são muito é triste entender os rumos que o mundo tomou, em especial a internet, como este lugarzinho aqui se tornou tão chato! O site da Barbie agora é apenas um e-commerce para a empresa vender brinquedos. Mas, enfim...
Eu não estava conseguindo me conectar com nenhum site ou plataforma que oferecesse hospedagem para a minha literatura.
E neste caso, quando eu digo "conectar" falo no sentido emocional, figurativo. Existem muitas plataformas que fazem este trabalho, algumas mais legais outras menos, em que você pode criar uma página, uma espécie de blog, e postar todos os seus textos, com imagens, links, música, o que bem lhe servir. Vários destes sites oferecem até mesmo formas de você fazer renda através de assinaturas e inscrições, inclusive eu sigo muitos criadores de conteúdo em redes sociais que utilizam como forma de criar comunidades, ainda que muitas vezes seja difícil conquistar público para consumir leitura, mas é super possível de se ter uma certa audiência. O que me pega neste processo todo é justamente o que me faz ter nostalgia da época em que eu era criança. Eu cheguei a ter vários blog na infância, nada promissor nem super sério, apenas uma garotinha na internet postando bobeiras e brincando de ser adulta. Era fácil e era super personalizável, vide a era Tumblr que podiamos por até mesmo playlists para tocar na nossa página, ou sites como o Fotolog, para você expor seus registros sem nenhum tipo de compromisso ou ansiedade. Acho que a palavra é bem essa "ansiedade". Eu sinto que nós começamos simples, diveritdo, e fomos adicionando tantas camadas por cima, que alcançamos uma certa estafa. Você não se sente cansado? Veja pelo próprio Instagram: em seu início devia ter no máximo 3 botões, você postava fotos no feed, editava sua bio e dava likes nas fotos de outras pessoas... Bom, isso era tudo o que você fazia no instagram, um album de fotos virtual onde você publicava e interagia com os albuns de outras pessoas. Compare com hoje, você manda mensagens, posta stories que podem ser fotos ou video, que podem ter musica, links, e se forem videos longos demais viram Reels, que as pessoas podem curtir, comentar, compartilhar, respostar, remixar, salvar. Você tem o feed normal, a antes o que permitia apenas uma foto por vez, hoje podem ser até 20 num só post. Aí na sua bio você pode escrever, por link, por botões, por música, por outros perfis. Não me deixe esquecer das notas que você pode escreve, mas também pode por música, ou conectar seu spotify, ou postar imagens, ou gifs. Ufa! Esqueci de algo? Cara, é muita coisa. E eu acho que esta ladainha toda explica BEM o motivo de eu não ter me conectado com nenhuma plataforma atualmente relevante para este tipo de conteúdo, porque eu sinto que em qualquer lugar da internet que se olhe hoje em dia, tudo está sempre muito lotado de informações, e funções, e botões que se você arrastar demais pra um lado ou para o outro você abre mais funções e mais informações, e isso é simplesmente insuportável, eu sinto como se a cabeça nunca conseguisse descansar, mesmo para as coisas em que ela deveria descansar, como um hobbie novo ou um projeto que você tem pretenção em criar um fã clube, nem monetizar nada, que você simplesmente quer fazer por fazer. Só que veja, hoje, tudo o que você se propoe a fazer, imediatamente em seguida você se sente um completo fracasso, ainda que você não tivesse intenções sérias em conquistar nada. A gente entra num modo de produtividade sem nem ao menos querer ser produtivo. Um exemplo disso, eu te dou, pois No entanto, estas coisas não são nem o maior problema. Para mim o que pega é a monetização do hobbie, a forçação de barra pelo produtividade exacerbada com todos os âmbitos na nossa vida. Como eu disse, isso aqui parece brincadeira, e eu quero que seja,O container agora está mais limpo, sem botões ou contadores, servindo como um santuário para o seu conteúdo escrito. A identidade visual retro-digital permanece através das cores neon e das bordas duplas, garantindo que a página ainda pareça parte de um jogo ou de um terminal de computador dos anos 80/90.